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	<title>Língua Roubada</title>
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		<title>Língua Roubada</title>
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		<title>De Olhos Fechados</title>
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		<pubDate>Wed, 12 May 2010 02:30:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anaile rc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[“Colocarei essa venda para que não abra os olhos. Não saberá onde estou nem o que vou fazer. Terá que confiar em mim.” As mãos suavemente deslizaram pelo rosto após prender cuidadosamente o tapa olho. Eric apreensivo não imaginava o desfecho da brincadeira mas a coragem tinha um pouco de excitação. Que loucura aquela mulher [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=linguaroubada.wordpress.com&amp;blog=8537870&amp;post=68&amp;subd=linguaroubada&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“Colocarei essa venda para que não abra os olhos. Não saberá onde estou nem o que vou fazer. Terá que confiar em mim.”</p>
<p>As mãos suavemente deslizaram pelo rosto após prender cuidadosamente o tapa olho. Eric apreensivo não imaginava o desfecho da brincadeira mas a coragem tinha um pouco de excitação. Que loucura aquela mulher estaria tramando? Pouca luz, som ambiente, aromatizadores e a proposta para brincar de jogo da verdade.</p>
<p>“O que você está fazendo?”</p>
<p>“Já vai saber!”</p>
<p>“Primeira pergunta: quem é você?”</p>
<p>“Como assim, quem sou eu? Isso não vale. Pergunta boba!”</p>
<p>“Você concordou com a brincadeira&#8230; se não sabe responder conto como ponto negativo e quem tiver mais paga uma prenda.”</p>
<p>“Eu passo. Agora é minha vez! Quem é você?”</p>
<p>“ Quanta falta de imaginação! Eu sou uma amiga que você adora e não consegue esquecer.”</p>
<p>“Isso não vale!</p>
<p>“Porque não? Vale sim. A pergunta é abrangente.”</p>
<p>“Está bem! Pergunte algo válido.”</p>
<p>“Qual a sua melhor lembrança?”</p>
<p>“São tantas lembranças&#8230; Não dá para definir a melhor&#8230; Quando peguei meu afilhado pequenininho no colo pela primeira vez! Qual é a sua melhor lembrança?”</p>
<p>“Não cansa de imitar? Lembro quando ficava sozinha na área de serviços, aos quatro anos, montando um quebra-cabeça gigante da Turma da Mônica.”</p>
<p>“Por que inventou esta brincadeira? Onde quer chegar?”</p>
<p>“Agora sou eu e é uma pergunta de cada vez! Sei que namorou muito e que é homem de manter vários relacionamentos ao mesmo tempo, sem ofender! Quais mulheres que te marcaram?”</p>
<p>“Está certo, vou responder. Uma delas foi você! Namoramos por pouco tempo mas toda vez que te via batia a curiosidade, te achava mais bonita, mais atraente.”</p>
<p>“Por quê?”</p>
<p>“Ah, agora sou eu que pergunto. Por que você está me perguntando essas coisas?”</p>
<p>“Desconfiado&#8230; Para conhecê-lo melhor. Saber o que sente de verdade.”</p>
<p>“Tenho um jogo melhor!” &#8211; Eric aperta a amiga contra o peito e esta está com os seios descobertos, num reflexo põe as mãos no rosto para se desembaraçar da venda mas é contido pelas pequenas mãos suaves.</p>
<p>“Não tire. Apenas sinta e não faça nada! Somente sinta.”</p>
<p>Encontros furtivos podem mascarar sentimentos reais? Para Eric o momento é eterno e deve ser bem aproveitado com uma pessoa agradável. O amor existe de diversas formas mas ele sabe muito bem apreciar a beleza. O belo o atrai, talvez seja por isso que atrás de si tenha uma legião de fãs. Esta amiga o intriga, ela vem e some como o vento. Varre seus sentidos e deixa apenas a sensação de vazio. Olhando-a nos olhos é capaz de amá-la mas mantendo distância podia desprezá-la. Torturadora ou torturado? Neste instante ela estava ali, em seus braços, dominada pelo seu desejo.</p>
<p>Só haverá lembranças ao amanhecer. O gosto da saudade ainda está nas taças de vinho. Sonhar que de alguma forma tem o poder da situação faz com que se sinta melhor. Sabe que não a terá. Traiu sua confiança no namoro adolescente no qual não soube compreender o zelo excessivo de seus pais. A urgência em viver os prazeres da vida fez com que abandonasse sem remoço o amor que surgia. Viajou o mundo, conheceu pessoas, novas culturas e novas decepções. No retorno, num encontro programado pelo destino, viu a chama acender. Mas ela não o perdôo. Aceitou suas desculpas, disse que um dia foi apaixonada por ele mas hoje são apenas bons amigos.</p>
<p style="text-align:right;">
<p style="text-align:right;"><em>* Por Anaile Ribeiro Cardoso</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/linguaroubada.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/linguaroubada.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/linguaroubada.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/linguaroubada.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/linguaroubada.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/linguaroubada.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/linguaroubada.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/linguaroubada.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/linguaroubada.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/linguaroubada.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/linguaroubada.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/linguaroubada.wordpress.com/68/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/linguaroubada.wordpress.com/68/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/linguaroubada.wordpress.com/68/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=linguaroubada.wordpress.com&amp;blog=8537870&amp;post=68&amp;subd=linguaroubada&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Carnaval?</title>
		<link>http://linguaroubada.wordpress.com/2009/10/24/carnaval/</link>
		<comments>http://linguaroubada.wordpress.com/2009/10/24/carnaval/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 24 Oct 2009 22:51:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anaile rc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Dia e noite estão ali, embaixo da marquise, três homens e uma mulher; sujos, rotos e descalços. Chegaram pouco antes do Carnaval, quem sabe para ver a festa. Aparentemente não têm para onde ir mas vieram de algum lugar. Ignoro a procedência e a decência. Não imagino quem foram seus pais nem que idade têm, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=linguaroubada.wordpress.com&amp;blog=8537870&amp;post=66&amp;subd=linguaroubada&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin-bottom:0;widows:2;orphans:2;"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Helvetica;"><span style="font-size:medium;"><span style="font-style:normal;"><span style="font-weight:normal;">Dia e noite estão ali, embaixo da marquise, três homens e uma mulher; sujos, rotos e descalços. Chegaram pouco antes do Carnaval, quem sabe para ver a festa. Aparentemente não têm para onde ir mas vieram de algum lugar. Ignoro a procedência e a decência. Não imagino quem foram seus pais nem que idade têm, mas jovens não são. São muito velhos aparentemente,  conhecidos das calçadas e das fuligens diárias do trânsito. Imundos, rasgados e escuros, amedrontam os pássaros engaiolados.</span></span></span></span></span></p>
<p style="margin-bottom:0;widows:2;orphans:2;"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Helvetica;"><span style="font-size:medium;"><span style="font-style:normal;"><span style="font-weight:normal;">Receio estarmos sendo observados. Olhos atentos que ainda não pediram nada. E se pedir, será que vão pedir? Me distraio com as fantasias que dançam no asfalto e ignoro o cheiro de suor, urina e cerveja. Uma multidão sorri ao ritmo da música e espalha no ar o entusiasmo reprimido nos dias normais. Os esfarrapados se divertem com a zoeira, esquecem a fome, a dor e abrem as banguelas para exibir os últimos cacos de dentes. O cheiro forte característico de pele e tecidos imundos me enjôa e quase me faz vomitar. O surpreendente foi eu ter achado que eles talvez tivessem mais direito do que os outros de estar na festa. O território não é nosso.</span></span></span></span></span></p>
<p style="margin-bottom:0;widows:2;orphans:2;"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Helvetica;"><span style="font-size:medium;"><span style="font-style:normal;"><span style="font-weight:normal;">Sol e chuva são uma benção no momento de alegria, as massas de papéis picados no chão não incomodam, os catadores de latinhas circulam com imensos sacos pretos, a polícia impõe respeito, e os banguelas continuam a sorrir, alguns falam sozinhos um dialeto irreconhecível. Talvez estejam delirando. Olho para as janelas dos edifícios e os imagino como gigantescas gaiolas de concreto; pequenas cabeças aparecem para soltar confetes e serpentinas.</span></span></span></span></span></p>
<p style="margin-bottom:0;widows:2;orphans:2;"><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Helvetica;"><span style="font-size:medium;"><span style="font-style:normal;"><span style="font-weight:normal;">Fim da farra, dias normais. A cidade se prepara para a rotina. As calçadas viram dormitórios, parecem que procriaram durante a manifestação popular, são tantos que não sabemos como andar sem esbarrar. Não me sinto a vontade, seus olhos exigem o que eu não posso dar. Dinheiro, comida, minhas roupas, minha casa, minha saúde, minha vida ou apenas o necessário – dignidade. Por que não gostam das intituições de caridade? Por que preferem ficar nas ruas?</span></span></span></span></span></p>
<p style="text-align:right;">
*Por Anaile Ribeiro Cardoso</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/linguaroubada.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/linguaroubada.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/linguaroubada.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/linguaroubada.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/linguaroubada.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/linguaroubada.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/linguaroubada.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/linguaroubada.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/linguaroubada.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/linguaroubada.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/linguaroubada.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/linguaroubada.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/linguaroubada.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/linguaroubada.wordpress.com/66/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=linguaroubada.wordpress.com&amp;blog=8537870&amp;post=66&amp;subd=linguaroubada&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>O Segredo</title>
		<link>http://linguaroubada.wordpress.com/2009/08/19/o-segredo/</link>
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		<pubDate>Wed, 19 Aug 2009 17:47:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anaile rc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[A morte repentina deixou toda a família alarmada, o sofrimento era algo indescritível para aqueles que a amaram e acreditavam que aquela mulher forte e decidida viveria por mais de cem anos. Mas ela se foi e deixou o vazio nos corações que agora teriam que encontrar um sentido para suas vidas sem contar com [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=linguaroubada.wordpress.com&amp;blog=8537870&amp;post=57&amp;subd=linguaroubada&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } --></p>
<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } --></p>
<p style="margin-bottom:0;"><span style="font-size:small;">A morte repentina deixou toda a família alarmada, o sofrimento era algo indescritível para aqueles que a amaram e acreditavam que aquela mulher forte e decidida viveria por mais de cem anos. Mas ela se foi e deixou o vazio nos corações que agora teriam que encontrar um sentido para suas vidas sem contar com os conselhos da nobre matriarca. Roupas e objetos pessoais foram reunidos para doações, entre eles uma pequena caixa de jóias com delicados ornamentos de madeira marchetada que sempre esteve vazia. A bisneta mais paparicada pela velha senhora a desejou para guardar como lembrança.</span></p>
<p style="margin-bottom:0;">
<p style="margin-bottom:0;"><span style="font-size:small;">A menina cresceu e se casou. O início do casamento era um sonho mas a monotonia ganhou espaço e venceu o ânimo dos cônjuges. O tempo se arrastava e as brigas e desencontros transformavam tudo num pesadelo. Alícia passava a maior parte do tempo na cama buscando no estágio de sonolência fantasias que alimentassem suas expectativas e diminuíssem suas frustrações. Certo dia sonhou com a caixinha de sua bisavó e uma voz que lhe dizia que a resposta estava lá. Levantou incrédula e a encontrou; há muito tempo que não a via desde que escondeu no seu interior a aliança que fez o marido acreditar que estava perdida. </span></p>
<p style="margin-bottom:0;">
<p style="margin-bottom:0;"><span style="font-size:small;">Foi necessário um pouco de esforço para abrí-la; ela escapuliu, bateu com força no chão e revelou um fundo falso. Lá estava um bilhete com caligrafia perfeita e uma foto antiga. Quem seriam as pessoas? O bilhete não tinha assinatura mas havia muita ternura nas palavras de despedida. Por que essas pessoas se afastaram se havia amor entre elas? A foto era de um casal muito feliz com trajes antiquados. Curiosamente, a mulher não lhe parecia tão desconhecida, na verdade parecia que estava olhando para um espelho.</span></p>
<p style="margin-bottom:0;">
<p style="margin-bottom:0;"><span style="font-size:small;">Alícia resolveu consultar os mais velhos sobre as histórias de família, fuçou álbuns de fotografia e cartas antigas até que encontrou referências sobre uma tiabisavó que se enamorou de um cigano. A moça era de uma família abastada italiana e ele um coitado fugido da guerra. Lógico que a família se opôs e eles tiveram que se afastar. O rapaz viajou para buscar melhores oportunidades de trabalho e prometeu buscá-la mas nunca mais voltou. A jovem tinha certeza que algo de ruim lhe aconteceu e a culpa a consumiu por não ter fugido com ele; nunca se casou e morreu de tristeza.</span></p>
<p style="margin-bottom:0;">
<p style="margin-bottom:0;"><span style="font-size:small;">Essa história despertou em Alícia uma reflexão inusitada. Qual o motivo da Bisa guardar tão cuidadosamente esta caixinha durante toda sua vida sem nunca revelar a ninguém o seu segredo? Será que o envolvimento do casal era tão vergonhoso na época que não merecia ser mencionado? Ou será que o medo era que o exemplo se repetisse e trouxesse seus aspectos negativos?</span></p>
<p style="margin-bottom:0;">
<p style="margin-bottom:0;"><span style="font-size:small;">Os pensamentos transitaram para os fatos da sua própria vida que era descortinada com várias cenas felizes e tristes, de amor e de fúria, de orgulho e de medo. A balança da alma exigia o equilíbrio entre razão e coração, e assim ela se entregou a uma análise mais apurada de atitudes e comportamentos. E aguardou solenemente seu marido chegar do trabalho.</span></p>
<p style="margin-bottom:0;">
<p style="margin-bottom:0;">“<span style="font-size:small;">Não vou fazer rodeios! Você tem vergonha de mim ou acha que nosso casamento não tem mais valor?” &#8211; O marido arregalou o olhos, ficou engasgado e respondeu: “Não tenho vergonha de você, de onde tirou isso? Só acho que nunca paramos para conversar francamente sobre o nosso casamento&#8230; você não é como as outras mulheres, não discute a relação, por um lado acho bom, mas por outro, nunca sei o que está acontecendo&#8230; você é tão emotiva! Você não entende que trabalho duro para poder lhe dar o nível de vida que você tinha quando morava com seus pais.”</span></p>
<p style="margin-bottom:0;">
<p style="margin-bottom:0;"><span style="font-size:small;">Sem titubear, Alícia argumentou: “Desculpa se o fiz acreditar que estava apenas sendo infantil e imatura. Não quis parecer mimada aos seus olhos, só queria a sua atenção. Sinto sua falta e nossas brigas por nada estão ficando insuportáveis. E você esqueceu que eu também trabalho? Não preciso da minha vida antiga, preciso de você, precisamos de nós dois.”</span></p>
<p style="margin-bottom:0;">
<p style="margin-bottom:0;text-align:left;"><span style="font-size:small;">Os anos se passaram, tiveram filhos, netos e um dia irão suncumbir aos apelos da morte, mas a  caixinha já esquecida estava no seu esconderijo e Alícia teve o cuidado de acrescentar no seu interior um outro mistério em forma de pequenas medalhinhas de ouro que representavam cada um de seus filhos.</span></p>
<p style="margin-bottom:0;text-align:left;">
<p style="margin-bottom:0;text-align:right;">*<em>Por Anaile Ribeiro Cardoso</em></p>
<p style="margin-bottom:0;"><span style="font-size:x-small;"><br />
</span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/linguaroubada.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/linguaroubada.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/linguaroubada.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/linguaroubada.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/linguaroubada.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/linguaroubada.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/linguaroubada.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/linguaroubada.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/linguaroubada.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/linguaroubada.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/linguaroubada.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/linguaroubada.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/linguaroubada.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/linguaroubada.wordpress.com/57/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=linguaroubada.wordpress.com&amp;blog=8537870&amp;post=57&amp;subd=linguaroubada&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Coração</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Aug 2009 17:41:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anaile rc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[As crianças são respeitadas e veneradas no Tibet; os sentimentos, a estética, a contemplação da natureza são valorizados como a própria vida. A adorável criança, com seus dez anos de idade lia sobre o Lama e pensou: &#8220;No nosso país um coração pode escolher entre a oportunidade de melhorar ou a danação eterna. Tudo se [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=linguaroubada.wordpress.com&amp;blog=8537870&amp;post=51&amp;subd=linguaroubada&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As crianças são respeitadas e veneradas no Tibet; os sentimentos, a estética, a contemplação da natureza são valorizados como a própria vida. A adorável criança, com seus dez anos de idade lia sobre o Lama e pensou: &#8220;No nosso país um coração pode escolher entre a oportunidade de melhorar ou a danação eterna. Tudo se resume ao coração.&#8221;</p>
<p>Um dia lhe disseram que seu pai precisaria de uma cirurgia de emergência, pois seu coração estava com defeito e o médico o consertaria. Apesar de soar estranho, a criança pediu a Deus que lhe fosse dado um coração novinho para que todos fossem felizes.</p>
<p>Onze dias depois, avisaram que seu pai estava bem e em casa, na casa dele, claro. O otimismo infantil criava a expectativa de que tudo ficaria bem. Quem sabe agora de coração novo ele seria capaz de sentir as emoções e evoluísse em sabedoria, mas mal começou a especular veio a decepção.</p>
<p>Com certeza o coração fora apenas recalchutado e o serviço não fora bem feito; nos primeiros dias de uso já deu sinais dos antigos problemas. Pobre mãe, ainda teria que aguentar as constantes humilhações e os maus-tratos. E a criança? O coração nunca pensou nela.</p>
<p style="text-align:right;">* <em>Por Anaile Ribeiro Cardoso</em></p>
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		<title>Lá Vem a Noiva&#8230;</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Jul 2009 21:18:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anaile rc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Ela estava linda com seu vestido longo transparente. Podíamos admirar seus seios firmes e grandes, cintura fina, quadris largos, pernas bem torneadas; e a sua calcinha perfeita para a ocasião, simplesmente branca de algodão suave e discreta. Estava radiante! As mulheres enfeitavam seus cabelos e o vestido com flores coloridas para destacar também a sua [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=linguaroubada.wordpress.com&amp;blog=8537870&amp;post=44&amp;subd=linguaroubada&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="margin:0;">
<p style="margin-bottom:0;">Ela estava linda com seu vestido longo transparente. Podíamos admirar seus seios firmes e grandes, cintura fina, quadris largos, pernas bem torneadas; e a sua calcinha perfeita para a ocasião, simplesmente branca de algodão suave e discreta.</p>
<p style="margin-bottom:0;">Estava radiante! As mulheres enfeitavam seus cabelos e o vestido com flores coloridas para destacar também a sua pele bronzeada. O salão de mármore com suas altas colunas perde sua frieza diante desse espetáculo. Chegada a hora, anunciam a entrada da noiva! A emoção toma conta de todos!</p>
<p style="margin-bottom:0;">Os portões se abrem e seus pés pousam sobre o tapete vermelho, o importante é andar com passos firmes e elegantes para a nova vida. De olhos fechados é capaz de sentir e distinguir cada um dos aromas que invadem suas lembranças e atiçam desejos. Uma dobrinha no tapete provoca um pequeno desequilíbrio, apenas um tropeço que não compromete a beleza do momento.</p>
<p style="margin-bottom:0;">Não é preciso abrir os olhos para perceber a luz branca radiando uma sensação de conforto e paz, e segue lentamente acompanhando o ritmo da música. Uma abelha que insistia sobrevoar o buquê resolve picar seu pescoço. Um nó bloqueia a garganta e os olhos transformam-se em cascatas para livrar-se de um cisco que os irritara. Lá se foi a maquiagem, o que falta acontecer?</p>
<p style="margin-bottom:0;">Sente a cada milésimo de segundo a hora de assumir as promessas mudas de não desistir do momento de entrelaçar fantasias e objetivos. Sem dúvida alguma é corajosa, mumurra para si mesma. As pernas seguem pesadas como se estivem protelando algo desagradável; mas esse é o grande momento de toda mulher, pensa.</p>
<p style="margin-bottom:0;">Resolve olhar de relance os convidados sustentando um sorriso trêmulo, alguns estão emocionados, outros sérios ou preocupados e nota também aquelas três tias malucas que sua mãe sempre comentava na sua infância &#8211; uma caolha, outra manca e a última careca. Um arrepio sobe pela espinha, sua cabeça parece girar e mil imagens de velhas opções sorriem para o seu sobressalto.</p>
<p style="margin-bottom:0;">Cabeça erguida, diz para si mesma. Poucos passos, mais um tropeço, mas dessa vez embaralha as pernas, cai, tenta se segurar, a mão escorrega&#8230; a grinalda se prende em alguma coisa e é arrancada do seu cabelo. Levanta cambaleante e tenta se equilibrar. Resolve abandonar o sapato estragado e, fora do salto, com vestido rasgado e cabelo desarrumado segue andando.</p>
<p style="margin-bottom:0;">A cruzada se completa e finalmente o noivo a recebe. Suspiros. Hora do sermão. O sim do noivo. O desmaio dela. Sopra, sacode, abana. Foi só um susto. Volta para o lugar. Olha para trás, fica em dúvida, sente uma grande pontada no seu coração, dor aguda. Os portões estão abertos e há muita luz lá fora. Corre desesperadamente e atinge o nada. Estava linda com seu vestido longo transparente.</p>
<p style="margin-bottom:0;text-align:right;"><em>* Por Anaile Ribeiro Cardoso</em></p>
<p style="margin-bottom:0;">
</div>
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		<title>Debaixo da Cama</title>
		<link>http://linguaroubada.wordpress.com/2009/07/19/debaixo-da-cama/</link>
		<comments>http://linguaroubada.wordpress.com/2009/07/19/debaixo-da-cama/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 19 Jul 2009 02:22:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anaile rc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Diva estava distraída, absorta em seus devaneios, mergulhada em lembranças que traziam à tona reflexões para a sua realidade. Parou displicentemente diante do espelho para ver se tinha lhe escapado algum detalhe sobre si mesma; faz tempo que não tem consciência da própria imagem. Notou que lhe faltava algo importante: onde estava o brilho dos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=linguaroubada.wordpress.com&amp;blog=8537870&amp;post=17&amp;subd=linguaroubada&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin-bottom:.21cm;">Diva estava distraída, absorta em seus devaneios, mergulhada em lembranças que traziam à tona reflexões para a sua realidade. Parou displicentemente diante do espelho para ver se tinha lhe escapado algum detalhe sobre si mesma; faz tempo que não tem consciência da própria imagem. Notou que lhe faltava algo importante: onde estava o brilho dos olhos?</p>
<p style="margin-bottom:.21cm;">Diva criança sempre foi muito curiosa e era fã de entrevistas com discursos em favor da liberdade de expressão e do respeito à voz feminina; despertou logo cedo para assuntos que os adultos achavam que ela desconhecia. Mal eles sabiam que a maravilhosa revista Manchete era devorada no seu esconderijo secreto&#8230; tá, nem tão secreto assim. As leituras proibidas eram realizadas debaixo da cama de seus pais cujo quarto deveria ser encarado como um santuário intocável principalmente para crianças. Essa atividade escusa lhe dava enorme prazer. A revista trazia fotografias de página inteira e reportagens interessantes mas nem sempre compreendia muito bem o que significavam, e no seu interior tinha um caderno lacrado proibido para menores de dezoito anos. Esse caderno era o tesouro revelador de mistérios pois continha textos redigidos por psicólogos e psiquiatras que explicavam coisas sobre família, marido e mulher, filhos e o que mais desejava saber: sexo!</p>
<p style="margin-bottom:.21cm;">Seus pais eram muito desajeitados para falar sobre sexo, então decidiu ela mesma se instruir através da leitura.</p>
<p style="margin-bottom:.21cm;">Os filmes da sessão da tarde que mostravam casais namorando não explicavam direito os detalhes que ela tinha o direito de saber, e os adultos se engasgavam ou ficavam vermelhos com suas perguntas e dificilmente as respondiam. O máximo de realismo eram os beijinhos mixurucas trocados por seus pais, que embora fossem bonitinhos não se comparavam aos beijos de cinema.</p>
<p style="margin-bottom:.21cm;">Aos sete anos descobriu que podia escalar todas as prateleiras do guarda-roupa e da estante com desenvoltura. Com olhos atentos, percebeu que seu pai escondia de forma furtiva muitas revistas na parte mais alta do  armário, ordenando a todos para que não mexessem: era ali que iria encontrar preciosidades. Diva fingia que estava brincando inocentemente e quando estava completamente livre usava todo o seu potencial de escaladora. A emoção tomava conta de sua alma por causa do perigo &#8211; ser apanhada seria assinar a setença de não ser uma boa menina &#8211; mas mesmo assim se arriscava, nem que fosse por alguns minutos, para matar a curiosidade de visualizar no que seu próprio corpo se transformaria quando finalmente fosse adulta.</p>
<p style="margin-bottom:.21cm;">Isso era sexo, ver corpos nus? Já tinha visto corpos nus antes, de vez em quando ela e seus pais tomavam banho juntos. Ver corpos de outras pessoas nas fotos é diferente porque as fotos fazem tudo parecer muito mais bonito. As sensações ao ver as imagens também eram diferentes e a faziam sonhar que também era adulta e tinha um corpo maravilhoso. De olhos fechados visualizava um príncipe implorando por seus beijos&#8230;</p>
<p style="margin-bottom:.21cm;">Devaneios, esse sempre foi o seu passatempo preferido.</p>
<p style="margin-bottom:.21cm;">Um grito a arrancava de suas fantasias: &#8220;Diva! Onde você está? O que está fazendo?&#8221;</p>
<p style="margin-bottom:.21cm;">“Ai!” &#8211; a dor na cabeça era latejante, ela nunca se lembrava de que estava escondida debaixo da cama dos pais. Como julgava-se a mestra dos disfarces, resolveu por em prática o que aprendera com os mímicos da TV: projetava a voz para o mais distante possível, acreditando que ninguém seria capaz de distinguir de onde vinha. Mas sua mãe nunca caía nesse truque e vinha logo com uma vassoura; era o momento de colocar as revistas presas no lastro da cama para uma saída rápida; na volta elas seriam resgatadas para o seu devido lugar.</p>
<p style="margin-bottom:.21cm;">&#8220;Saia daí, menina! Que mania de se enfiar debaixo da cama. Um dia desses essa cama vai cair em cima de você!&#8221;</p>
<p style="margin-bottom:.21cm;">À medida que foi crescendo percebia as pequenas transformações no seu corpo. Aos doze anos já era muito alta para idade e gostava de se observar no espelho. Durante a adolescência sua preocupação com a aparência se refletia nas roupas, bijouterias e penteados cuidadosamente arrumados. Não sabia se era bonita e atraente como as mulheres das revistas mas sonhava em ser beijada de verdade.</p>
<p style="margin-bottom:.21cm;">A primeira paixão chegou aos catorze anos quando a diretora do colégio apresentou o novo colega que acabara de chegar na cidade. Ele olhou em volta da sala e veio sentar-se ao seu lado. O seu coração disparou e quase saiu pela boca, seus olhos não desviaram nem um milímetro das dimensões do caderno durante toda a aula. A história se desenrolou suavemente, primeiro com uma amizade, depois uma declaração tímida de paixão, e andaram de mãos dadas pelo colégio afirmando serem namorados, mas nunca tiveram coragem de experimentar o tão sonhado beijo.</p>
<p style="margin-bottom:.21cm;">Sentada na cama e olhando as paredes desbotadas de seu quarto, Diva, agora adulta, tem o insight que esperava: &#8220;É isso! Eu continuo debaixo da cama. Continuo me escondendo com medo de ser repreendida, só que de maneira diferente pois os olhos de reprovação são os meus!&#8221;</p>
<p style="margin-bottom:.21cm;"><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } -->Com olhar de reconhecimento divagou: “Meus cabelos soltos ficam fascinantes, tenho pele macia e cheirosa. Meu corpo não é muito diferente&#8230;hum&#8230; por que não?” &#8211; Imediatamente tomou uma atitude, pegou o celular e ligou para seu melhor amigo: &#8220;Eron, quero que faça fotos sensuais minha, quero expor curvas e intenções, sinto que meus hormônios estão gritando para traduzir meus instintos na linguagem artística. Claro que não é uma cantada, Eron! Estou cansada de saber que nós dois gostamos do mesmo fruto! Também não estou louca! O que importa, Eron? Sou professora universitária mas sou humana; o tempo passa e daqui uns anos estarei muito mais velha. Eu preciso me sentir de novo. A solidão não é realmente uma opção. Na verdade, Eron, eu preciso sair debaixo da cama para me lembrar de ser o que estava esquecido no armário até hoje!&#8221;</p>
<p style="margin-bottom:0;">
<p style="margin-bottom:0;">
<p style="text-align:right;"><em>* Por Anaile Ribeiro Cardoso</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/linguaroubada.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/linguaroubada.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/linguaroubada.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/linguaroubada.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/linguaroubada.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/linguaroubada.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/linguaroubada.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/linguaroubada.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/linguaroubada.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/linguaroubada.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/linguaroubada.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/linguaroubada.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/linguaroubada.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/linguaroubada.wordpress.com/17/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=linguaroubada.wordpress.com&amp;blog=8537870&amp;post=17&amp;subd=linguaroubada&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Sapatinhos Vermelhos</title>
		<link>http://linguaroubada.wordpress.com/2009/07/14/sapatinhos-vermelhos/</link>
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		<pubDate>Tue, 14 Jul 2009 02:42:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anaile rc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Andávamos sobre uma calçada irregular, cheia de buracos e pedrinhas soltas &#8211; algumas vezes eu as chutava sem querer. Minha mãe segurava firmemente minha mão deixando meu braço estendido. Perdi a conta de quantas lojas nós entramos até que ela encontrasse o que estava procurando. Eu era muito pequena, meus pés doíam e eu tinha [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=linguaroubada.wordpress.com&amp;blog=8537870&amp;post=12&amp;subd=linguaroubada&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Andávamos sobre uma calçada irregular, cheia de buracos e pedrinhas soltas &#8211; algumas vezes eu as chutava sem querer. Minha mãe segurava firmemente minha mão deixando meu braço estendido. Perdi a conta de quantas lojas nós entramos até que ela encontrasse o que estava procurando. Eu era muito pequena, meus pés doíam e eu tinha vergonha do vestidinho curto demais que mostrava a minha calcinha cheia de babados.</p>
<p>Finalmente ela parou e se deu por satisfeita. Eram os sapatos mais vermelhos que eu já vi. A vendedora os trouxe e calçou meus pés inchados e aconselhou levar um número maior. &#8220;Sapatinhos de Boneca&#8221; &#8211; disse minha mãe cheia de orgulho; para mim não passavam de suplício &#8211; sapato de couro duro, envernizado, brilhante e muito vermelho. Saímos da loja, eu com o meu novo sapato com meias brancas até o tornozelo, e minha mãe fazendo planos para costurar vestidos, todos vermelhos.</p>
<p>Atravessamos todo o centro da cidade atrás dos tecidos, fitas, bicos e rendas que seriam utilizados na confecção de minhas novas roupas. Eu estava crescendo rápido, dizia a minha mãe. Embora me desagradasse usar vestido que pinica, ter que andar de sapatos e que ainda por cima é vermelho, eu fingia que estava confortável quando via aquele sorriso de felicidade no seu rosto. Eu sabia que para mamãe eu era definitivamente a sua preciosa boneca.</p>
<p style="text-align:right;">
<p style="text-align:right;"><em>* Por Anaile Ribeiro Cardoso</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/linguaroubada.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/linguaroubada.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/linguaroubada.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/linguaroubada.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/linguaroubada.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/linguaroubada.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/linguaroubada.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/linguaroubada.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/linguaroubada.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/linguaroubada.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/linguaroubada.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/linguaroubada.wordpress.com/12/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/linguaroubada.wordpress.com/12/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/linguaroubada.wordpress.com/12/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=linguaroubada.wordpress.com&amp;blog=8537870&amp;post=12&amp;subd=linguaroubada&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Após Nove Dias&#8230;</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Jul 2009 04:36:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anaile rc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[A notícia chegou aos seus ouvidos como uma flecha surda e certeira. Os sentidos confusos custavam a acreditar nas palavras sussurradas quase cuspidas para que representassem o fato. Alguma providência deveria ser tomada. Era necessário um segundo de presença. As instruções foram passadas rapidamente ao telefone mas ao desligar se deu conta de que tudo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=linguaroubada.wordpress.com&amp;blog=8537870&amp;post=3&amp;subd=linguaroubada&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A notícia chegou aos seus ouvidos como uma flecha surda e certeira. Os sentidos confusos custavam a acreditar nas palavras sussurradas quase cuspidas para que representassem o fato. Alguma providência deveria ser tomada. Era necessário um segundo de presença. As instruções foram passadas rapidamente ao telefone mas ao desligar se deu conta de que tudo isso era real.</p>
<p>Lágrimas escorreram pelo seu rosto e o vazio invadiu seu peito. Olhava em volta e não via nada. Existiam apenas objetos que no fundo não lhe eram importantes. São coisas que interagimos e que permanecerão até que nos desfaçamos delas. Ela tentou evitar o sofrimento como se a ausência congelasse o tempo. Foram dias sem ouvir a voz; agora resta o remorso e a saudade.</p>
<p>Foi difícil o deslocamento de um Estado para outro; três passagens compradas até acertar o que a companhia aérea exigia. A chegada tardia foi dolorosa pois não sabia que papel deveria assumir. Tudo a sua volta refletia a dura realidade dos que partem e nunca mais retornam. Por quanto tempo guardaria bem vívidas as boas lembranças?</p>
<p>Flores, lágrimas, abraços, palavras de conforto e a única imagem da despedida &#8211; do que um dia foi a sua morada. Sabia que não estava lá; tinha certeza de que sua vozinha querida já se encontrava num lugar maravilhoso, exatamente como sempre dizia &#8211; ao lado de Deus.</p>
<p>Parentes e amigos se consolavam com gritos, canções, orações e promessas de nunca esquecer seus ensinamentos. Foi um cortejo grandioso em quantidade de pessoas de fé que vieram confraternizar a sua grande passagem.</p>
<p>A neta cochilou sobre a cama que acomodou a velha senhora nos seus últimos dias. Ao fechar os olhos conseguia sentir a presença e o cheiro da sua segunda mãe. Olhar seus pertences a fazia lembrar sua imagem e sua fala mansa recheada de histórias e conselhos. O rosto de sua vozinha sempre foi o refúgio das doces lembranças e o seu colo protetor aquecia seus sonhos infantis.</p>
<p>Após nove dias, a decisão: resolveu escrever-lhe uma carta:</p>
<p><em>&#8220;Minha avó querida,</em></p>
<p><em>Não pude derramar todas as lágrimas porque precisava confortar todos os teus entes queridos. Procurei fazer o que a senhora faria.</em></p>
<p><em>Constantemente ouvi tua voz doce em meus pensamentos e nunca duvidei de que já tinha chegado ao teu destino. Aquela casca ôca já não era tua morada.</em></p>
<p><em>A certeza de que Deus a colheu para o seu próprio jardim fortaleceu meu coração. Foi essa mesma certeza que fez com que mantivesse a calma necessária para que tudo fosse reorganizado conforme teu pedido.</em></p>
<p><em>Vozinha, procurei cumprir os teus desejos, pelo menos os últimos, só não cheguei a tempo para vê-la como sugeriu.</em></p>
<p><em>Me perdoe!</em></p>
<p><em>Te amo muito e sempre vou lembrar de teus ensinamentos.</em></p>
<p><em>Obrigada por tudo &#8211; obrigada.</em></p>
<p><em>Deus a abençoe,</em></p>
<p><em>Amém.&#8221;</em></p>
<p style="text-align:right;"><em>*Por Anaile Ribeiro Cardoso<br />
</em></p>
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